Apoiando o #BlackLivesMatter: como funcionam as hashtags?

No início do mês, os olhos de todo o mundo voltaram-se para os Estados Unidos e os protestos que tomaram conta do país. As ações foram uma resposta ao cruel assassinato de George Floyd, homem preto asfixiado até a morte por policiais brancos. A indignação pelo caso tão desumano comoveu e indignou multidões em outros países, que também manifestaram sua fúria pelo ocorrido e pelos ocorridos semelhantes em suas próprias nações.

Aqueles que não puderam ir às ruas, considerando que ainda estamos no meio de uma pandemia, deram apoio à causa pela internet, levantando hashtags. A boa intenção, contudo, logo se transformou em um problema. Militantes e apoiadores do movimento negro pediram que as pessoas parassem de usar as hashtags. Você sabe por quê? 

Para saber o motivo, entenda melhor como funcionam as hashtags.

O que são e como funcionam as hashtags?

Hashtag é como ficou conhecido o símbolo de jogo da velha (#) na internet. O termo é uma junção das palavras em inglês hash (nome da brincadeira na língua inglesa) e tag (etiqueta, em português). Elas funcionam exatamente como o nome sugere: tal qual um rótulo digital. Sua função é identificar e organizar os conteúdos com temas semelhantes nas redes sociais. Quando o símbolo “#” é utilizado antes de uma palavra qualquer, ela se transforma em um hiperlink. Clicando neste hiperlink, é possível ter acesso a várias outras publicações relacionadas aquele mesmo assunto. 

Além de fazer essa classificação, o que ajuda o usuário a explorar temas de seu interesse, as hashtags também podem aumentar a visibilidade das postagens. Uma vez que reúne todos os conteúdos marcados com uma mesma hashtag em uma só página, aqueles perfis com poucos seguidores também são vistos. Inclusive, um dos benefícios é a atração de um público qualificado, que esteja realmente interessado no tema dos posts.  

Sabendo como as hashtags funcionam, fica fácil entender por que um protesto virtual começa com um levante delas. Mas por que isso não funcionou tão bem da última vez com o Black Lives Matter?

Como usar as hashtags do jeito certo

Tentando mostrar apoio à causa, várias pessoas ao redor do mundo postaram telas pretas no Instagram com a hashtag do movimento negro. Essas postagens, apesar de uma demonstração de suporte, não continham nenhuma informação relevante. Ou seja, a hashtag do movimento foi tomada por conteúdo que não era importante para o protesto de fato, como a captação de recursos ou a violência policial documentada. Esse evento chama atenção para algumas boas práticas na hora de utilizar as hashtags – principalmente na hora de apoiar uma causa tão urgente. Veja algumas:

Usar hashtags relacionadas ao post

Antes de mais nada, as hashtags usadas no seu post devem ter relação com o conteúdo. É desonesto e oportunista usar uma hashtag que esteja em alta só para gerar engajamento. Além do mais, isso provoca penalizações das redes sociais, podendo até ocasionar a remoção da hashtag, e também dos usuários, que não conseguem acessar os conteúdos de seu interesse.

Neste caso em específico, o uso da hashtag #BlackLivesMatter nos posts com os quadrados pretos, apesar de ter contexto, não trazia conteúdo relevante. Isso obviamente prejudicou a hashtag e colaborou para ocultar informações de extrema importância para aquele momento.

Pesquisar as hashtags mais adequadas

Todo esse problema poderia ter se resolvido com uma rápida pesquisa. Os militantes do movimento negro estavam sugerindo que, no lugar da #BlackLivesMatter, os usuários utilizassem a #BlackoutTuesday. Assim, as informações úteis aos protestos se concentrariam na primeira, e as demonstrações de apoio, na segunda. 

A pesquisa de hashtags é importante porque, geralmente, existem mais de uma relacionadas ao mesmo tema. Na hora de utilizar no seu post, é importante averiguar qual dessas variações é mais adequada. E, nessas horas, não vale a pena se levar só por aquelas que  estão mais em alta. É indispensável que o seu conteúdo seja relevante para hashtag.

Não usar hashtags genéricas

Por fim, a hashtag deve ser específica para que as pessoas realmente interessadas no seu conteúdo cheguem até você. Elas vão servir como um filtro para atrair um público qualificado. Por isso, você deve imaginar a decepção de quem clicou na #BlackLivesMatter e deu de cara com uma tela toda preta.

Essas são dicas básicas, mas fundamentais na hora de utilizar as hashtags, sobretudo no apoio de uma causa como essa. Estes cuidados, que parecem muito simples, formam uma responsabilidade social no uso das mídias e da visibilidade que proporcionam

Mas atenção: nem sempre essas dicas são válidas. 

Na mesma semana dos protestos do #BlackLivesMatter, supremacistas brancos levantaram a hashtag racista #WhiteLivesMatter. A fim de não deixar que conteúdos racistas tomassem conta das redes sociais, fãs de k-pop fizeram exatamente o oposto do que falamos aqui e encheram a hashtag com imagens dos seus artistas favoritos. Assim, quem clicasse na hashtag não encontraria nada relacionado ao conteúdo inadequado, evitando que a mensagem se espalhasse.

Neste caso, tudo bem ir na contramão desse passo a passo. Silenciar racista é um ótimo motivo para fazer tudo isso ao contrário.

via GIPHY

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