sistema de recomendação da netflix

Sistema de recomendação da Netflix é inovador na série “Love, Death + Robots”

Neste ano, a Netflix lançou a série Love, Death + Robots, uma antologia animada de ficção científica para adultos. No programa, cada episódio é independente e traz uma história distinta dentro da temática central.

Esse formato de programa permite que a série seja vista em qualquer ordem sem perder o  sentido.

Contudo, mudar a sequência dos episódios altera como os espectadores recebem e percebem a produção.

Por isso, a fim de melhorar a experiência dos usuários, a plataforma de vídeos começou a testar uma inovação no sistema de recomendação da Netflix.

Na série Love, Death + Robots a ordem de apresentação dos episódios muda e é indicada de acordo com o perfil de cada usuário.

Desde que surgiu como uma plataforma digital de vídeos, a Netflix realiza estudos para melhorar a experiência do usuário baseada em suas preferências.

Essas pesquisas servem para manter o sistema de recomendação da Netflix de séries e filmes mais certeiro. Além disso, elas também auxiliam na escolha de aspectos do produto para que eles sejam mais atrativos ao público. Um desses atributos são as miniaturas do vídeo, por exemplo.

Apesar dessas análises já serem conhecidas, é a primeira vez que elas são estendidas para o vídeo na série Love, Death + Robots.

Polêmicas envolvendo o sistema de recomendação da Netflix

No final do ano passado, a Netflix se envolveu em uma polêmica referente aos seus algoritmos.

A empresa foi acusada de racismo por alguns usuários que sugeriram que a escolha de miniaturas dos vídeos era baseada na etnia do usuário.

Logo, para usuários negros, a plataforma estaria exibindo a imagem de atores negros, ainda que estes tivessem um papel menor na produção.

A empresa negou toda a acusação, explicando como, na verdade, funciona o sistema de recomendação da Netflix.

Em um e-mail à revista de entretenimento norte-americana The Hollywood Reporter, um representante da empresa esclareceu a situação:

“As notícias de que olhamos para grupos demográficos quando personalizamos nossa arte não são verdadeiras. Não perguntamos aos membros sua raça, gênero ou etnia, então não podemos usar essa informação para personalizar suas experiências individuais na Netflix. A única informação que usamos de um membro é seu histórico de visualização”.

 

Este ano, com o experimento durante a série Love, Death + Robots., novamente os usuários mostraram-se desconfiados com o sistema de recomendação da Netflix.

Para alguns, a plataforma teria, supostamente, alterado as ordens do episódios com base na orientação sexual dos espectadores.

Enquanto, para alguns, o primeiro episódio apresentado foi “Sonnie’s Edge”, com personagens LGBTQ+, para outros foi “Beyond the Aquila Rift”.

Mais uma vez, a Netflix negou a utilização deste tipo de segmentação.

Uso de dados pela Netflix

Como então, de fato, a Netflix usa os dados para melhorar a relação com os usuários?

Primeiramente, é importante lembrar que o público, e consequentemente o seu jeito de consumir conteúdo, mudou significativamente nos últimos anos.

Hoje, o público não é apenas um receptor passivo, mas também participa no processo de construção das produções.

Entenda mais sobre o público coletor.

Por isso, é fundamental ouvir os usuários a partir do estudo de seus comportamentos.

Eles geram bons insights para criar conteúdos mais atrativos e melhorar a experiência do consumidor.

É possível saber quantas vezes os espectadores pausam o vídeo, voltam o vídeo, ou ainda quantos episódios conseguem assistir em sequência.

A partir disso, pode-se inferir porque as pessoas param de ver séries, em que momento elas abandonaram ou foram conquistadas pela história.

Além de parte ativa no processo de criação, o público também se tornou mais disperso.

A atenção, hoje, é disputada por muitos canais diferentes e competitivos. Por isso, o conteúdo tem pouco tempo para fisgar o usuário antes que ele se desinteresse.

Em uma pesquisa realizada pela própria Netflix, consta que os usuários passam, em média, 1,8 segundos julgando os títulos apresentados pela plataforma.

Ou seja, é necessário ser o mais atrativo possível na hora de tentar seduzir o espectador e ganhar seu clique. Por isso, as miniaturas de vídeo são tão importantes nessa decisão.

Para facilitar esse processo, o sistema de recomendação da Netflix é automatizado para classificar imagens e usá-las a partir de uma previsão dos gosto dos usuários.

Como funciona o sistema de recomendação da Netflix?

O sistema de recomendação da Netflix se baseia no “Aesthetic Visual Analysis”.

Essa ferramenta analisa os frames dos vídeos utilizando algoritmos para buscar a que melhor ilustre o programa.

Para isso, o software funciona em três passos:

Primeiro passo

Antes de qualquer coisa, o algoritmo avalia cada frame individualmente e anota o seu conteúdo.

Dessa forma, é possível entender a importância de cada um deles para a história.

Segundo passo

Posteriormente, essas imagens são classificadas em três grupos:

  • Visual: Categorizadas pelo brilho, cor e contraste
  • Contexto: Detecta objetos e rostos que auxiliam na compreensão do vídeo.
  • Composição: Reconhece quais imagens são mais agradáveis esteticamente. Sendo assim, considera simetria, posição da câmera, entre outros aspectos.

Terceiro passo

Por fim, a melhor imagem é escolhida com base em três dimensões:

  • Atores principais
  • Alcance visual
  • Filtros de sensibilidade

Sendo assim, a fim de atrair os usuários, a imagem escolhida segue suas preferências por artistas, cores, estilo e emoção.

O sistema de recomendação da Netflix, constantemente atualizado, é um ótimo exemplo de como estudar o comportamento do consumidor pode melhorar a experiência do usuário.

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